Alan Wake – Review

maio 18, 2010 at 7:33 pm 12 comentários

Produtora: Remedy Distribuidora: Microsoft Gênero: Suspense/Ação

Plataforma: Xbox 360  Analista: Fabian Kurayami  Duração: ~ 8 horas

Após um longo  e cansativo período de desenvolvimento Alan Wake é finalmente lançado. O jogo da Remedy – sempre cercado de mistério e polêmicas – chega ao mercado flertando com um gênero que parece viver dias sombrio. O suspense/terror (ou “survival horror” como foi popularizado pela Capcom) não ganha representante de pesa a um bom tempo. Descubra agora se Alan Wake é o despertar do estirpe ou uma queda sem voltas ao sono da mediocridade.

Como posso ter certeza?

Alan Wake conta a história de um escritor que após um bloqueio criativo decide viajar de férias com sua esposa para uma pacata e idílica cidade chamada Bright Falls. Após o misterioso desaparecimento de sua mulher, Alan se vê imerso em um suspense sobrenatural onde a escuridão toma conta de objetos e pessoas. Mais que isso: aparentemente ele escreveu aquela história que vai tornando-se real.

A Remedy conduz com surpreendente sensibilidade o roteiro que, apesar de não trazer grandes surpresas ou reviravoltas, é eficiente e recheado de personagens marcantes. Há flertes inteligentes com a metalinguistica e mais de uma vez você se encontrará perdido no paradoxo da “história que escreve a história”. O tom da narativa é sombrio e silencioso na maior parte do tempo, alternando para trechos de ação pirotécnica. A inspiração em David Lynch é patente, especialmente no modo de perceber o bizarro na sociedade pacata e fechada das pequenas cidades norte-americanas do interior.  Outra marca do diretor, o final aberto a interpretações diversas, também bate cartão por aqui, justiça seja feita, com muita eficiência.

Mais interessante que o roteiro são as referências do time as dificuldades do processo criativo. A presença das trevas é como um editor corrupto tentando moldar o trabalho do escritor para se adequar a seus desejos sombrios. A mensagem é clara, o processo de criação é frequentemente podado por interesses comerciais e as boas idéias acabam manipuladas em algo mais genérico por aqueles que detêm o controle financeiro de sua produção e se esquecem que o risco é parte integrante ao novo.

É a condução elegante do roteiro e suas corajosas manifestações em prol da liberdade artistica que fazem a trama apenas acima da média de Alan Wake torna-se verdadeiramente memorável. Sem dúvida apenas um estúdio tão pequeno e independente quanto a Remedy poderia ter isenção moral de gritar que os criadores devem sim ter controle sobre suas obras. Que algumas publishers – Activision estou olhando para você – possam ouvir este grito.

Nos Sonhos

A Remedy reafirma em Alan Wake sua grande capacidade de criar jogos com belos visuais. Alan Wake é uma maravilha aos olhos. A iluminação é uma das melhores já vistas nesta geração e os efeitos de partícula chegam a rivalizar com os de Killzone 2. Artisticamente também há inspiração: a luz é densa e volumosa, quase palpável, ressaltando a presença viva deste elemento em contraste com a escuridão que devora objetos e habitantes de Bright Falls.

O jogo tem ambientes gigantescos com uma distancia de desenho absurda. É possivel ver montanhas nos confins do cenário e chegar até elas sem ver nada surgindo do nada em sua frente. A taxa de frame rate também é confortável.

Infelizmente o jogo é bastante repetitivo e apesar da beleza dos bosques inevitavelmente o jogador estará cansado de vê-los após 8 horas de exposição. Outro fator negativo é a qualidade – ou melhor a falta dela – das expressões faciais. Em um jogo com teor dramático é fundamental personagens com expressões convincentes e aqui temos exatamente o oposto. Todos os habitantes de Bright Falls parecem bonecos de cera com capacidades nulas de demonstrarem sentimentos.

A trilha sonora de Alan Wake é excelente, especialmente as músicas que tocam no rádio ou nos fins de cada capítulo. É uma coleção de músicas com personalidade e de tom melancólico e misterioso que casam com brilhantismo com a proposta do jogo.

A dublagem também recebeu um belo trabalho – que contrasta com as horríveis expressões faciais – conferindo ao jogo mais realismo e imersão. Não espere algo no nível da Rockstar ou da Bioware, mas pode ficar tranquilo: não há canastrões nesta série de TV.

Por Favor, mostre-me sua verdadeira face

Apesar de todo o mistério em torno da jogabilidade de Alan Wake – que acabou sendo detalhada somente na última E3 – ela é familiar para jogadores hardcore. O jogo consiste basicamente em seguir até o ponto de seu mapa circular, derrotando os inimigos em seu caminho e resolvendo os “micro puzzles” que dão as caras aqui e ali. Sim, eles são tão simplórios – como apertar dois botões para abrir uma porta ou ligar um motor e depois procurar o botão para abrir a porta – que merecem o prefixo de micro.

O combate é simples e seria ordinário não fosse a adição do elemento luz. Todos os inimigos estão possuidos pela presença das trevas e ela garante ivulnerabilidade a suas balas. Desta forma é necessário retirar este manto de sombras protetivas. Para isso o jogador joga luz sendo com lanternas, pequenas máquinas no cenário, barris explosivos ou flares, flare guns e flashbangs.

O uso da luz é muito bem realizado e atirar com Alan é uma beleza. A Remedy trouxe a mesma precisão e o mesmo tiroteio técnico de Max Payne para seu suspense. A adição da luz cria momentos interessantes onde é necessário ser sempre ofensivo. Infelizmente há pilhas demais para a lanterna e munições demais para suas armas. Com isso nunca cria-se o clima de urgência e fatalidade necessário a um jogo deste gênero. A impressão é que você está sempre a salvo já que Alan está sempre muito bem equipado.

Os inimigos também são repetitivos e as estratégias de combate nunca mudam. Há homens magros com boa mobilidade e poucas defesas e homens fortes que são lentos, causam muito dano e possuem grandes defesas. Além disso há uma variedade de inimigo que é extremamente rápida – chegando a ficar praticamente invisível – e corvos que atacam em bandos. Além disso objetos como vigas, barris, carros, trens e tratores são constantemente possuidos e precisam ser iluminados até a morte.

Felizmente a Remedy compensa a repetitividade com momentos empolgantes de perseguição e um ritmo de narrativa extremamente agradável. A conclusão é um jogo de mecânicas sólidas apesar de não particularmente inspiradas.

Conclusão

Após o belíssimo final de Alan Wake a sensação é agridoce. É um jogo sólido e extremamente polido com um roteiro bem desenvolvido e elementos metalinguisticos admiráveis. Apesar de haver momentos gêniais durante a aventura,  no todo a trajetória é familiar demais para merecer um lugar na história dos games. Não se engane entretanto, mesmo com pequenos problemas e a sensação de falta de novidades, a jornada surrealista do escritor Alan ainda é superior a tudo que o gênero produziu ultimamente.

Pode não ser um oceano, mas é um belo lago que merece um mergulho.

Mais & Menos

+ Roteiro metalinguistico e ambiguo

+ Iluminação é memorável

+ Ritmo de jogo impecável

– Expressões faciais são fraquíssimas

– Falta variedade em inimigos, situações e ambientes

Notas

Apresentação:  9,0
Gráficos:   9,0
Som:  9,0

Jogabilidade:  8,0

DIVERSÃO:   8,5 (x2)

:  : 8,6 :  :

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12 Comentários Add your own

  • 1. Fabian Kurayami  |  maio 18, 2010 às 7:42 pm

    É isso ai pessoal estoud e volta uhauhauhhuauha

    Estava totalmente sem tempo, agora a coisa melhorou um pouquinho.

    Tenho 15 dias de folga. Vou tentar fazer reviews de Heavy Rain, God of War III e Prince of Persia.

    Vlw por continuarem vindo aqui vcs são foda

    E obrigado ao Desadoc e a Camila por manterem o barco seguindo xD

  • 2. Tulio Ferreira  |  maio 18, 2010 às 7:49 pm

    AAAAAAAAEEEEEEEEEE fabian!
    ate q enfim de volta hein kra!?
    ótimo review… “esclareceu” (sacou?) minhas dúvidas sobre esse jogo, depois vou dar uma conferida nele!
    valeu!

  • 3. Lufi  |  maio 18, 2010 às 10:38 pm

    AÍ SIM!!!! =D parabéns pela volta meu!!!!! o Hardcore Gaming reacende o carinho pelos video games e agora espero que esse fogo só aumente!!!! review muito tranquilo de ler e que resume bem o que se esperar de Alan Wake =] abração Fabian!!!!

  • 4. Flame Alchemist  |  maio 18, 2010 às 11:07 pm

    Daew fabian…legal a sua volta…no aguardo do review do heavy rain.

  • 5. Flauber Vieira  |  maio 19, 2010 às 4:57 pm

    Uau. Já vim ler o testo carregando minha AK47 esperando criticas exageradas ao design de inimigos mas isso não ocorreu. Sobre ele ser ou não um grande nome no gênero, acho que nenhum outro jogo desta geração que tenta (ou supostamente tenta) ser uma história de suspense/terror tem personagens e situações tão interessantes, empolgantes e marcantes. Alan Wake, como já disse mil vezes, é o jogo com personagens mais humanos que já vi na vida. Não tem heróis medievais nem monstros da caverna. São pessoas, sempre e a Bright Falls está cheia delas…pessoas normais, singulares mas normais, isso pra mim é algo raríssimo (ou quae UNICO) nos videogames.

    E é isso que tenho a dizer de Alan Wake.

  • 6. Norion  |  maio 20, 2010 às 10:07 am

    Belo review, to doido pra jogar esse jogo so esperando chegar *-*, todo mundo que ja jogou ou ta jogando ta falando muito bem desse jogo, dizendo que é um jogo comum mas que no geral ele se torna um jogo foda.

  • 7. jon  |  maio 20, 2010 às 3:57 pm

    vlw fabia excelente review!!! vc eh fera mesmo to besta

  • 8. Mcdonalds  |  maio 20, 2010 às 7:31 pm

    Excelente review, Fabian!
    Show ver o site voltar..
    AW é o game que eu mais botava esperança nesse ano..
    Ainda tenho que pegar pra conferir, mas a espectstiva é grande

  • 9. leonardo raphael  |  maio 21, 2010 às 12:49 pm

    Excelente review, Fabian!
    esse jogo é muito bom.principalmente a trilha sonora
    na miha opiniao alan wake esta entre os 3 melhores do ano ate agora

  • 10. Tiago Medeiros  |  maio 21, 2010 às 5:44 pm

    Obaaaaaaaaaaaaaaaa!! Tchê, ÓTIMOOOO REVIEW! esse jogo é fodastico demais, to zerando pela segunda vez pq gostei muitoooooo… Valeu fabian, por ter voltado \o/

  • 11. Professor BR  |  maio 22, 2010 às 2:49 am

    Não troco vocês e o HCG por nada !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • 12. Robert  |  setembro 1, 2010 às 8:57 pm

    esse jogo e foda..melhor cenario que ja vi num jogo dessa geraçao….grande coisa expressao facial mal atrapalha..a historia e otima e cativante…eu tinha certeza q iam meter o pau nesse jogaço.;garanto q vcs vao dar mais nota em Heavy Rain por ser do ps3;;;fala serio…Allan Wake é um dos melhores jogos q ja vi na vida e vai ter continuaçao pelo jeito.garanto q vao resolver os probleminhas q teve!!

    Alan Wake é FODA e nao me atenho a criticas…pra mim a critica de jogos e pessoal tanto q uns podem gostar e outros nao…mas nada a ver essa notinha ..cada uma q leio;!!

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