Metro 2033 – Review

março 23, 2010 at 4:11 pm 8 comentários

Produtora: 4A Games  Distribuidora: THQ  Gênero: Horror FPS

Plataforma: Xbox 360/ PC    Analista: Aron Pilotto Barco

A produtora 4A Games está só engatinhando, e é sempre bom ver novas produtoras despontando com jogos expressivos. Metro 2033 é seu primeiro jogo de mercado e o tal fez barulho, o mundo gamer estava de olho nesse FPS. Mas, infelizmente, o pessoal da 4A não fez muito bem a tarefa de casa (ou teve um professor ruim) e acabou com um jogo pouco mais que mediano.

Sobreviver numa Moscou pós-apocalíptica (e sem sentido)

Introdução rápida: Metro 2033 se passa numa Moscou devastada por uma guerra nuclear. Não há tentativa de aproximação com a história, já que o jogo cria seu próprio universo (um metaverso) onde nazistas ainda existem e estão numa segunda guerra contra os resquícios da União Soviética.

Você é Artiom, um escritor (que não escreve nada e só fala nos loadings; no ingame você é mudo. É o the Gordan Freeman way, afinal, você é um cara comum que por alguma causa obscura é o salvador do mundo e sabe atirar muito bem) que vive nos metros junto de vários outros que sobreviveram à guerra nuclear. Desde o apocalipse nuclear, toda a rede de metros da cidade se tornou um complexo emaranhado de militares, sobreviventes, mutantes, etc. Artiom entra na ação quando sua estação começa a sofrer ataques constantes do que chamam de os Dark Ones (que seria, em tradução aberta, obscuros ou das trevas) e ele saí para buscar ajuda.

E aqui começam os problemas.

A guerra citada não é nem um pouco importante, parece ter sido colocada simplesmente porque, em determinado level, queriam fazer o jogador atravessar um campo de batalha sendo alvo dos dois lados (hã? alguém disse Call of Duty 4?). Isso sem falar que tem vários Nazistas que falam o inglês com sotaque russo enquanto outros falam com sotaque de alemão. Eles simplesmente parecem ser um bando de esquizofrênicos que continuam lutando uma guerra que não tem mais sentido – o que seria uma bela interpretação, mas é minha e não da própria narrativa do jogo que parece insistir que seu enredo é coeso.

Aí está o maior buraco do jogo quanto ao enredo: coesão. No final faz pouca diferença se você é Artiom ou qualquer outro cara… os Dark Ones conversam só com você e os fantasmas abrem espaço pra você (fantasmas? hãm? WTF?) – e você pergunta “e daí?“. Todos os elementos são alheios… o que se tem aqui é só uma tentativa de narrativa… e eu iria gastar uma página inteira da HCG pra falar de todos esses fios soltos, então, basta a você saber que o enredo de Metro 2033 não é pra ser levado muito em consideração. Simplesmente deixe o jogo te apresentar um monte de contextos desconexos e sorria.

Sobreviver é matar, esgueirar e trocar munição 9mm por 50mm

Não se pode negar que os gráficos de Metro 2033 são ótimos. São muito apoiados nos efeitos (shaders e tudo o mais) e menos nas cores, na arte, e na definição das texturas, mas em geral os gráficos atendem muito bem à ambientação. O clima de desolação reina absoluto.

Para além dos gráficos, o que realmente se destaca são os pequenos detalhes de animação que detalham a ambientação. O colocar e tirar máscaras, o mapa das missões que você pega na mão e vê sob a luz do seu isqueiro customizado (agora alguém disse Far Cry 2?), o relógio, o comércio de munição (não há dinheiro, então os sobreviventes usam munição nas transações de armas – uma solução inteligente e representativa, não acham?)… enfim, são todos detalhes que enriquecem a ambientação. Só três elementos parecem totalmente gratuitos e desnecessários:

1) olhar no relógio pra saber quanto tempo de filtro você ainda tem, sendo que a contagem de filtros aparece quando você pega um ou troca por um novo; 2) a medida em que o filtro acaba, sua respiração fica mais pesada e a máscara embaça. É um efeito interessante e realista, mas não encontra seu lugar na mecânica do jogo – o embaçado incomoda e atrapalha sua mira, sendo melhor esperar a animação da troca de filtro pra avançar; 3) sua lanterna e o night vision são abastecidos por um carregador universal que funciona pelo seu constante martelar de dedo num botão – é um saco. Nunca entendi porque os jogos tem esses momentos de esmagar botão… é completamente desnecessário, é óbvio que o jogador vai conseguir e isso não acarreta nenhum desafio mental, só cansaço físico…

Esses três não chegam a estragar o jogo, mas somam pequenos pontinhos no lado sombrio de Metro 2033: a recorrente frustração.

Grandes momentos, ora fulminantes ora frustrantes

Algumas batalhas são fascinantes. Hordas de mutantes pulando em cima de soldados comendo bala (mas espera aí, não era pra haver pouca bala disponível? – pros NPC’s está tudo bem, só pra você que a situação é apertada). Seus companheiros de fato morrem, então é preciso de preocupar com eles. Isso dá um realismo especial pro jogo; lembro de bolar táticas em Bad Company 2 visando meus companheiros como escudos humanos, já que eles são imortais. Em Metro 2033 é trabalho em equipe mesmo.

Quando não te põe numa equipe o jogo geralmente te força a um sistema de stealth quebrado. E novamente, aqui começam os problemas.

A stealth tem defeitos sérios, torna-se frustrante. Pra começar, lançar facas é muito mais eficiente que metade do arsenal com silenciador. A única arma que realmente mantém o silencio é um rifle semi-automático que você encontra da metade para o fim do jogo. Se descobrirem um corpo que você despachou, mesmo que em silêncio e no escuro, os inimigos passam a saber exatamente onde você está e já abrem fogo, mesmo que você esteja escondido. Você só está escondido enquanto não for notado, se passar a ser notado automaticamente o mundo inteiro sabe onde você está e nunca te perde de vista (mas só até o próximo loading, claro).

Também os caminhos são estupidamente lineares. O enredo e a narrativa de um jogo serem lineares não é problema, problema é o jogo tentar moldar suas táticas. Todo jogo para ser jogo precisa deixar que cada tipo de jogador escolha suas táticas para atingir os objetivos. Em Metro 2033, especialmente nos momentos de stealth, há sempre um caminho tranqüilo para se descobrir… o resto é absurdamente difícil. Não adianta muito improvisar, você vai ser frustrado e ver a tela de “reload last checkpoint” várias vezes.

Por fim, e não por menos, a inteligência artificial também contribui para estragar o jogo. Os soldados inimigos cometem erros banais como, por exemplo, se proteger do lado errado de uma barreira… olhando pro lado oposto ao que você está e dando as costas pra você. É medonho.

Conclusão

Metro 2033 simboliza o meu medo de um mundo em que os jogos perderam sua mágica, deixaram de ser jogos e se tornaram meros efeitos especiais. É uma produtora novata que não trouxe nada de novo a não ser belos gráficos. Eles conseguem uns bons tiroteios, momentos de tensão… Metro 2033 não é um lixo. Mas é pouco mais que medíocre. São tantos errinhos que irrompem de todos os lados, que no todo a diversão que o jogo proporciona é sufocada por vários momentos de frustração.

Esse também é um jogo genérico no sentido mais estrito do termo: uma grande mistura de inúmeros jogos antes dele. É difícil notar-se algo de original em Metro 2033. Junte um pouco de Fallout com elementos alheios de Half-Life, Fear (há momentos de suspensão da ação em que o jogador fica preso dentro de um “pesadelo”, exatamente como em Fear), Call of Duty… enfim, a lista é imensa. Talvez o mais inusitado seja Penumbra: Black Plague, um jogo que respeito muito. O final de Metro 2033 se parece muito com o de Penumbra.

Indico esse jogo para amantes de shooters FPS –  especialmente os de terror -, para os entusiastas por gráficos e para os desocupados. Se você não é nenhum desses, passe reto. Especialmente se você aprecia uma história bem contada.

Mais & Menos

+ Ambientação, imersão

+ Gráficos incríveis

Por vezes frustrante (em momentos de Stealth, quase sempre)

– Inteligência artificial fraca

– Elementos gratuitos e desnecessários na jogabilidade

– Enredo inexpressivo e desconexo


Notas

Apresentação: 6,0

Gráficos: 9,0

Som: 7,0

Jogabilidade: 5,0

Diversão: 6,0

Média: 6,5

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8 Comentários Add your own

  • 1. Loveless  |  março 23, 2010 às 4:52 pm

    Eu esperava MUITO mais desse jogo, eu achei que seria um forte título da Microsoft e que mesmo não batendo de frente com o Clichê of War 3, pelo menos faria cócegas no careca.

    Acho que não só ME enganou como passou a perna em muita gente.. o game realmente tem gráficos muito bonitos, mas fica só nisso.. quando você pensa que vai engranar, não engrena..

    Excelente review e a nota ao meu ver foi justa.

  • 2. Fabian Kurayami  |  março 23, 2010 às 5:19 pm

    Não joguei até o final, mas discordo de algumas coisas… Adsorei a trilha sonora e a dublagem em russo e achei a jogabilidade decente, assim como a diversao…

    Pelo q joguei minhas notas seriam +- assim:

    Apresentação: 7,0

    Gráficos: 9,0

    Som: 8,0

    Jogabilidade: 6,0

    Diversão: 7,5

    Média: 7,5

  • 3. Fabian Kurayami  |  março 23, 2010 às 5:20 pm

    Ah proposito BELISSIMO review!

  • 4. Tiago Medeiros  |  março 23, 2010 às 7:59 pm

    Ótimo review! Eu realmente esperava algo mais dinamico e interativo…mas tá bão! =)

  • 5. aroncoiote  |  março 24, 2010 às 10:09 am

    @Loveless

    também me desapontou… =/

    @Fabian

    falei no meu último review que sou mais rígido/chato que você =)

  • 6. shavasko  |  março 24, 2010 às 12:49 pm

    com 20min de jogatina, concordo com o review!

  • 7. aroncoiote  |  março 24, 2010 às 4:22 pm

    obrigado pelos elogios. por vezes gostaria de dar mais atenção às análises, mas não dá pra se dedicar por horas e horas a fio nesses textos e quando ficam grandes demais assustam leitores na internet. o melhor é ser sucinto e nisso tentar ser eficiente.

    corrigi uns erros de digitação.

    se alguém encontrar algum, por favor avise que corrijo.

  • 8. game  |  abril 2, 2010 às 8:32 pm

    I thought the game was ok, it could of been better in the graphics department amongst other things, better shoot em up games around.

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