Mass Effect 2 – Review

março 10, 2010 at 10:29 am Deixe um comentário

Produtora: Bioware    Distribuidora: Gênero: RPG/Ação/TPS

Plataforma: e PC    Analista: Fabian Kurayami

Lançado em 2007, Mass Effect foi um marco nos RPGs. Sua dinâmica ousada unia mecânicas típicas de jogos de tiro á complexidade, profundidade e poder de escolha e customização de um competente RPG. O jogo arrebanhou uma legião de fãs leais, mesmo contando com vários pequenos problemas que minavam a excelencia da experiência. Estas falhas materializavam a inexperiência do time da Bioware em um campo outrora não explorado por eles: os jogos de ação.

Mais de 2 anos depois a ambiciosa sequência está de volta, prometendo tornar as geniais idéias do primeiro em algo palpável. Será mesmo possível cumprir promessas tão complexas como a criação de um jogo que respeito todas as opções do jogador no episódio anterior? Será possivel tornar o combate de um RPG tão fluido quanto um título de tiro descerebrado? Será possível criar um episódio intermediário com novas idéias e força o suficiente para ligar introdução e climax com competência?

A Bioware provou que sim.

Transforme sua galáxia

Talvez o fato mais marcante do primeiro Mass Effect era sua história. Cheia de momentos tensos, um vilão carismático e excelentes reviravoltas, o jogo empurrava o jogador a seguir em frente com notável vigor. Os fãs podem ficar aliviados, o roteiro de Mass Effect 2 é tão inesquecível quanto, mesmo tendo uma estrutura radicalmente diferente.

Mass Effect 2 começa de modo arrasador em uma das melhores sequências da história dos videogames. Após os eventos desencadeados, muita coisa muda e Shepard deve reunir um time de notáveis guerreiros para embarcar em uma missão suicida contra os ameaçadores Reapers. Não há o fator surpresa aqui, tampouco um vilão que aprendemos a odiar como no  primeiro. A Bioware foi mais ousada e mudou as regras do jogo. Mass Effect 2 é uma verdadeira história de crescimento pessoal. A sua missão importa pouco no roteiro quando comparamos o cuidado dispensado ao desenvolvimento dos personagens. Todos, mesmo os coadjuvantes, possuem histórias intensas e complexas. Se conectar a estes seres virtuais se torna inevitável e a nave Normandy – que o acompanha durante todo o épico – logo passa a se tornar sua casa.

Mais do que reunir um time competente, é preciso conhecê-los. É aqui que se encontra o arcabouço emocional de Mass Effect 2. As missões pessoais de cada membro são espetaculares e extremamente variadas! Muitas exigem trabalho investigativo, outras diplomático, e outras tantas músculos e balas. O que há em comum em todas elas é a capacidade de tornar aqueles personagens multifacetados e ricamente trazidos a vida. Por trás de cada estereótipo há um invíduo com ânsias e medos, com falhas e acertos, pronto a ser desvendado e trazido para seu lado.

Jogar Mass Effect 2 ignorando as missões opcionais dos membros do seu time é jogar fora 80% do seu valor emocional. O impacto das espetaculares sequências finais não pode ser sentida sem que você se importe verdadeiramente com seus companheiros.

Aliás, mais do que profundidade, o elenco de apoio esbanja carisma. Mordin Solus e seu jeito hiperativo e excessivamente prático é um dos personagens mais hilários e inteligentes dos últimos anos. O atormentado Thane é imponte e cativante. Thali se mostra tímida e leal, e a lista poderia continuar por linhas e mais linhas. Mesmo os personagens aparentemente mais insignificantes estão sempre brindando o jogador com fragmentos de suas histórias pessoais ou entretendo com situações corriqueiramente hilárias, como o casal de engenheiros sempre se provocando, o cozinheiro e sua busca por melhorar a qualidade da comida ou sua assistente pessoal, uma hilária caricatura dos PR´s e suas exageradas demonstrações de prestatividade e carinho.

Um destaque vai para o “Illusive Man“. Brilhantemente interpretado pelo ganhador do globo de ouro Martin Sheen, ele é um personagem enigmático e poderoso que puxa as cordas e coloca o jogador sempre o jogador á beira da manipulação.

É preciso dedicação para entrar no mundo de Mass Effect. É preciso vontade de entende-lo e de se relacionar com seus habitantes. Mas após passsadas estas barreiras, estamos diante de um universo assustadoramente vivo e variado. O melhor de tudo é que este universo é moldado por suas escolhas.

Sim, escolhas. Um aspecto importante do primeiro e que se tomou uma proporção absurda nesta sequência. Em muitos momentos ficamos diante de decisões complexas cujo as consequências, nitidamente, estão reservadas para o terceiro capítulo. Não é preciso muito astúcia para perceber que a Bioware escreveu a história de ME2 e 3 simultaneamente, o que torna a escala de suas ações e da trama do jogo muito mais abrangentes. Apesar de não trazer as reviravoltas do primeiro e não possuir um vilão – somente a sombra de um – Mass Effect 2 supera brilhantemente o original naquilo que é mais importante: tornar a jornada sua.

Veja e ouça os efeitos de massa

Em uma ficção científica é extremamente importante as escolhas tomadas pela direção de arte. Será ela a responsável por tornar aquele universo crível e fascinante. Mass Effect 2 sucede nesta tarefa de modo absolutamente brilhante. Sua visão de futuro é elegante e imerssiva; seja em imensas e impressionantes naves orgânicas; seja em imensas cidades com telas holográficas, iluminação em fogo digital e quiosques 3D; seja em ilhas de aspecto terrestre com um belo sol poente escondendo-se por trás dos imensos destroços de uma nave mãe “encalhada”.  O uso das cores, a escolha dramática da iluminação, o espetacular design das raças extraterrestres… Todos estes aspectos trabalham em perfeita harmonia para possibilitar uma experiência visual avassaladora.

Tecnicamente alguns problemas técnicos dão as caras. A modelagem de alguns objetos poderia ser mais caprichada, o frame rate escorrega em alguns raros trechos e as animações dos personagens são boas, mas não perfeitas. Entretanto o motor gráfico é caaz de momentos inesquecíveis como a luta contra um gigantesco verme ou contra um imenso esqueleto metálico lotado de pequenos detalhes e nitidamente inspirado por Exterminador Do Futuro.

Com sua irretocável visão artística, Mass Effect 2 é um dos mais belos jogos desta geração. Existem as pequenas questões técnicas já citadas, mas nenhuma delas é capaz de diminuir o arrebatamento sensorial causado pela obra da Bioware.

Arrebatamento sensorial este que é completado pelo fenomenal conjunto sonoro que temos aqui. A trilha sonora de Jack Wall e Sam Hulick continua extramente ousada, envolvente e discreta. Ela está sempre trabalhando para manipular suas emoções, com orquestrações sintetizadas e crescendos perturbadores. Esqueça a ladainha típica de jogos de ação ou aventura, Mass Effect mantêm sua tradução e introduz o pitoresco ao resgatar a perturbação sonora de Kraftwerk e juntá-la ao melhor do estilo consagrado pelo maestro John Williams.

A dublagem é simplesmente espetacular. Todos os astros contratador para o elenco ajudaram a fazer a diferença e as atuações são verdadeiras e poderosas. Yvone Strahovski encanta como a sensual Miranda e Seth Green dá a melhor atuação de sua carreira como o piloto Joker – agora com muito mais destaque que no último episódio. Na verdade poderíamos citar diversos nomes já que todos demonstraram perfeição em seus papéis, mas é Martin Sheen quem rouba o show. Em uma das melhores atuações da história dos videogames, seu Illusive Man é a personficação do mistério e da manipulação. Sua empostação vocal é perfeita e o personagem, construído a partir dos traços do consgrado ator, mescla-se a voz com extrema naturalidade.

Para completar temos um conjunto técnico de primeira com efeitos sonoros muito bem escolhidos e mixados. Uma verdadeira aula de como fazer ficcção científica comparada aos brilhantes trabalhos de efeitos sonoros em clássicos como Star Trek e Blade Runner.

Lute pelos caídos

Mesmo com um conjunto tão impressionante de roteiro, imersão, áudio e vídeo, tudo isso importaria pouco se a jogabilidade não funcionasse. Felizmente este não é o caso. Mass Effect 2 tem um dos level designs mais brilhantes que já estive diante. As missões possuem ritmo e são extremamente variadas deixando claro ao jogador que será necessário a destreza e truculência dos jogadores de TPS no mesmo nível que exige a paciência e inteligência dos aficionados por RPGs. Em uma missão estou atirando em monstros gigantes ou ameaças que viajem em plataformas voadoras, em outra estou disfarçado em uma boate, dançando e flertando com uma assassina para levá-la a uma armadilha. Esta dinâmica funciona em todo o jogo e mesmo nas missões “aleatórias” descobertas através do processo de escaneamento dos planetas há muita variedade e diversão, uma guinada e tanto quando lembramos das chatíssimas incurssões do primeiro episódio.

O combate do jogo funciona muito melhor e está bem mais próximo de ícones do tiro em terceira pessoa como Uncharted 2 e mesmo Gears of War. Ainda não há a mesma leveza e profundidade mas os fundamentos estão finalmente bem solidificados e lutar se torna um prazer, algo raro nos RPGs. Para aumentar a riqueza de combate temos um sistema de armadura, escudos e barreiras, cada um com uma vulnerabilidade o que exige o uso inteligente dos poderes bióticos e tecnológicos além do cuidado na escolha do tipo de munição nas armas. É extremante rico em possibilidades e no modo de dificuldade mais pesado deve-se ter noção exata do que vem pela frente para se atingir o sucesso.

No campo d0os diálogos o jogo está mais variado e cheio de possibilidades. O acréscimo dos gatilhos de interrupção parciam supérfluos mas, ao jogar, fiquei encantado com esta nova mecânica. Ela traz guinadas incríveis aos acontecimentos e realizam o sonho de todo gamer de RPG: “Porque diabos não matam esse vilão enquanto ele está falando?!”. BRILHANTE.

Como mencionei anteriormente, há muitos trechos onde você deve fazer decisões críticas. Elas afetam seu relacionamento com seu time, afetam a história e, mais impressionantemente, prometem afetar Mass Effect 3 que foi escrito simultaneamente para uma experiência ainda mais integrada da já impressionante ligação entre ME1 e 2.

Além de conversar e lutar, Mass Effect 2 traz outros avanços significativos. O sistema de evolução de armas é excelente e inovador. Procure planetas abandonados, escaneio-os atrás de recursos, lance sondas, extraia os minerais, compre os projetos de armas e use os recursos extraídos para desenvolvê-las. É uma verdadeira experiência de microgerenciamento que pode assustar os fãs de ação, mas sem dúvida vai provocar arrepios de prazer nos fãs hardcore de RPG. Mais toques sutis incluem a personalização da armadura, a decoração da sua cabine – com direito a garage kits de naves, bichos de estimação e fotos de personagens – e outros extras que podem passar despercebidos para alguns mas entreterão outros tantos por horas.

Por fim temos os “momentos de impacto”. Uma mecânica de jogabilidade em script criada por Half-Life e desnevolvida por Call of Duty e Halo. São aquelas situações onde algo no cenário acontece e muda a jogabilidade ou a situação temporariamente, servindo para aumentar a tensão e, principalmente, contar a história de modo interativo. Tais situações foram agregadas a Mass ffect 2 com extremo sucesso. No momento mais marcantes, tive que jogar com um coadjuvante inusitado em uma situação extremamente dramática. Estes momentos são poucos, Mass Effect 2 não é um shooter pirotécnico e sim um jogo emocional, mas são realizados com extrema elegância acrescentando substancia real a experiência ao invés de fogos de artíficio para justificar uma engine milionária.

Haveria muito mais para falar sobre a jogabilidade e design de Mass Effect 2. È um jogo gigantesco em escala e ambição e ele traz dezenas de pequenas mecânicas, mas isto tornaria o review excessivamente extenso. Fica meu testemunho que temos um jogo de design impecável e de jogabilidade extremamente sólida. O meu único porém é que a IA dos seus companheiros de esquadrão ainda deixa a desejar, mas após muita consideração percebi que esta falha é insignificante perante um jogo que une gêneros tão díspares com tanta competência.

Conclusão

Poucos jogos verdadeiramente quebram barreiras emocionais. Poucos são aqueles que deixam de ser um entretenimento passageiro e se alojam em definitivo na memória do jogador. Eu poderia contar nos dedos títulos que conseguiram tal efeito sobre mim. Mas ainda mais raros são aqueles que se tornam experiências pessoais, que transforam o universo virtual do jogo um lugar o qual o jogador pode chamar de casa.

Mass Effect 2 é um destes raros jogos.

É o pináculo do design de RPGs ocidentais. Janeiro não só recebeu um fortíssimo candiddato a jogo do ano, como um significativo nome a ser considerado e lembrado em muitos anos por vir.

Mais & Menos

+ Jogabilidade rica e precisa

+ A escolha está sempre nas mãos do jogador

+ Visão artística fenomenal

+ Dublagem de altíssimo nível

– Ter que esperar 2 anos pela conclusão da saga

Notas

Apresentação: 10,0

Gráficos: 9,0

Jogabilidade: 10,0

Som: 10,0

Diversão: 10,0 (x2)

Média: 9,8

Entry filed under: Uncategorized. Tags: , , , .

Quantic Dream lista vagas para próximo título Will Wright: Wii é um brinquedo

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Seções

Arquivo


%d blogueiros gostam disto: