Bioshock 2 – Review

março 10, 2010 at 11:43 am 7 comentários

Produtora: 2K Marin Distribuidora: 2K Games Gênero: Sci-Fi First-Person Shooter

Plataformas: X360/PS3/PC    Versão Analisada: PC    Analista: Aron Pilotto Barco

Não é possível falar em Bioshock sem lembrar da profundidade do enredo no primeiro título. Estamos tão afogados em gráficos malabaristas, técnica pura, que em muito esquecemos de outra força do jogo: a narrativa. Claro que um jogo não precisa de bom enredo para ser um bom jogo – jogar é sobre agir e bolar estratégias com as ferramentas que lhe são dadas atrás de um certo objetivo, o resto é pra te atrair ao mundo onde essas ferramentas estão –, mas os jogos também não precisam ser realistas, pois no jogo o “mundo lá fora” entra em pausa e entramos no universo do jogo, com suas regras próprias (sejam físico-químicas, éticas, morais, etc.). Aí mora o grande “que” desse game – Bioshock é sobre seu universo, Bioshock é Rapture.

De volta à Rapture!

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a arte é genial

Se você tirar Rapture de Bioshock, não sobra muita coisa especial. É um shooter competente, com toda a certeza, mas o que dá peso ao título é o poder de imersão de que ele é capaz. Infelizmente um problema em Bioshock 2 é a introdução lenta. O início não é envolvente, o jogo demora pra te fisgar. De início parece mais uma expansão ou continuação do primeiro Bioshock.

Mas Rapture é instigante, mira debates que vão além: afinal, o que destruiu aquela sociedade? A competição por ADAM (que pode ser entendida, por analogia, a competição por lucro)? A falta de um eixo ético? Ou seria culpa da cultura que veio de fora, da superfície, e não se adaptou a um mundo radicalmente diferente? E o que dizer da psicologia de massas que a (vilã?) Sofia Lamb atira sobre os Splicers perturbados?

Rapture é quase um “ecossistema” próprio e você pode passar um tempo bom nele já que Bioshock 2 rende umas boas horas de jogo – o tempo varia de acordo com o tempo que você gasta olhando Rapture, que certamente tem muitos detalhes. Se você só sair correndo direto pros objetivos o tempo vai encurtar um tanto. Mas, certamente, comparado com os curtos jogos atuais, Bioshock 2 ganha pontos por não ter uma campanha curta demais.

Ambientação é a chave

as cenas no meio do oceano são bonitas (isso aí é uma screenshot), mas não passam de simples caminhadas...

Certamente uma das faces que desapontaram levemente os fãs foram os gráficos. Bioshock, em 2007, foi um jogo belíssimo. Ok, Crysis o desbancou na capacidade técnica, mas mesmo assim Bioshock foi muito bem cogitado pelo visual. Já Bioshock 2 chega num tempo repleto de gráficos absurdos sem ter o baque do primeiro. Ainda bem que isso não estraga a experiência, porque 1) os gráficos são competentes e 2) a arte continua magnífica. As pequenas brincadeiras com a iluminação (lembrando o suspense cinematográfico clássico) também continuam por lá, como vistos no primeiro jogo. Enfim, a ambientação é a chave: os lugares por onde o jogador passa mantém riqueza de detalhes. É no nível microscópico que Rapture ganha vida, como nas gravações de voz espalhadas para o jogador achar, ouvir e incrementar o clima de tensão. Cada sala, cada corredor, todos são muito bem construídos. Você sente que Rapture está viva ao seu redor.

Também a relação entre Splicers, Big Daddy’s e Little Sisters, enfim, toda a fauna de Rapture, continua um show a parte. A inteligência artificial não é brilhante – daquelas que você exclama ‘uau, olha que bicho esperto!’ – mas não estraga o clima, o mínimo que todo jogo deve fazer. O mais atrativo mesmo é como eles interagem, por vezes até independendo do jogador. Você pode causar um pequeno caos com alguma arma à distância, ou uma armadilha, e ver o circo pegar fogo de longe. Ou mesmo passar na frente de um Big Daddy, estando na linha de fogo dos Splicers que te perseguem, só pra ver ele ficar puto com os Splicers.

Outro quesito que não poderia deixar de ser mencionado é o brilhante trabalho de áudio. Os efeitos sonoros estão todos nos lugares certos, a dublagem de voz é competente e – a pérola do pacote – a trilha sonora é magnífica. A trilha cria um clima épico para todo o enredo e sem ela o jogo certamente seria menor. Duvida? Escute você mesmo: música do encerramento; música ambiente.

Delta, o primeiro Big Daddy

quem nunca quis ser um Big Daddy?

Bioshock 2 traz uma modificação essencial à formula: agora você pode usar armas e plasmids (os “poderes”) ao mesmo tempo, cada um em uma mão. Assim todo um novo campo tático se abre ao jogador: as diversas combinações de armas de fogo e plasmids mudam a dinâmica do combate. Cada jogador irá bolar sua estratégia (e ela deverá ser móvel porque cada adversário exige táticas diferentes). O sistema de combate de Bioshock ganhou muito com essa decisão.

Infelizmente o jogo se torna complicado demais com o excesso de armas e ‘modos’ de tiro. Alguns são completamente desnecessários, como na arma de atirar parafusos que contém munição normal e pesada. O efeito da munição pesada pode muito bem ser substituída pelo upgrade da arma, sistema que o jogo oferece. Outro problema é ter de 6 a 8 plasmids para escolher junto de outras 8 armas, o excesso chega a ser redundante. E parece que até os designers do jogo enxergaram isso, dando ao jogador a opção de usar só furadeira+plasmids com bônus de dano e menos consumo de EVE (energia, mana). Mas não pense que essa falha de polimento detona o sistema de combate, ele continua divertido e envolvente, só um pouco arranhado.

Além de exigir estratégia, outra novidade bem vinda é o seu personagem. Definitivamente ser um Big Daddy é legal, eles eram as figuras mais curiosas a caminhar por Rapture. Ao ser um seu contato com as Little Sisters muda: agora você pode adotá-las. Defender a sua “filha adotiva” enquanto ela chafurda atrás de ADAM é certamente um desafio empolgante; hordas de Splicers vão surgir atrás dela e montar armadilhas se tornará vital. Se você sobreviver, é bem possível que ainda tenha que dar de cara com uma Big Sister. Acredite, você não vai querer gastar muita munição em meros Splicers…

Conclusão

to bem na foto?

Bioshock 2 traz sua parcela de boas e más inovações, mas em seu núcleo o jogo continua o mesmo. O medo de acabar errando ao ir longe demais com as novidades para superar o brilhante primeiro jogo certamente conteve a equipe da 2K. O que não é ruim, porque Bioshock é Bioshock, um dos melhores games da década. Rapture é um universo magnífico e Bioshock 2 consegue trazer faces que não vimos no primeiro jogo, mas repetir demais a fórmula é inevitavelmente lavá-la demais, esfregar demais e perder um pouco do brilho.

Nada disso significa que o jogo é ruim, mas com certeza significa que ele poderia ter sido melhor – tinham tudo na mão pra fazer isso. Já vimos esse filme várias vezes, afinal, é difícil superar um clássico.


Mais & Menos

+ Rapture e sua fauna continuam interessantíssimos

+ Excelente ambientação (especialmente a trilha sonora)

+ Ser o mais foda dos Big Daddy’s

+ Grandes possibilidades táticas

– Demora pra engrenar; início fraco

– Superlotação de armas+plasmids pode causar certa confusão


Notas

Apresentação: 9,0

Gráficos: 7,0

Som: 9,5

Jogabilidade: 8,0

Diversão: 8,5

Média: 8,4


por Aron Pilotto Barco

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7 Comentários Add your own

  • 1. aroncoiote  |  março 10, 2010 às 11:49 am

    obs: Esse é meu primeiro review para o HCG, espero ter instigado vocês a darem uma olhada no jogo.

    Acredito que sou mais rígido do que meus colegas aqui, para um jogo tirar 9+ comigo vai ser difícil.

    Então, já estou falando que o 8,4 do Bioshock 2 é muita coisa, o jogo é bom.

  • 2. Tiago Medeiros  |  março 10, 2010 às 11:51 am

    Ótimo Review!
    8.4 não quer dizer que o game seja ruim, pelo contrario, é muito bom mas não chega a ser surpreendente como o primeiro.

  • 3. aroncoiote  |  março 10, 2010 às 11:58 am

    essa é exatamente a idéia que quis passar. o jogo é bom, vale a pena ser jogado, mas está na sombra do primeiro.

  • 4. Tiago Medeiros  |  março 10, 2010 às 12:05 pm

    Isso aconteceu com F.E.A.R.2

  • 5. Norion  |  março 10, 2010 às 12:36 pm

    Bom review mas como todo mundo que ja jogou o primeiro, o segundo nao se mostrou melhor, somente mais do mesmo.

  • 6. Lufi  |  março 10, 2010 às 2:01 pm

    muito bom review meu =] parabéns ! eu gostaria que os gráficos fossem mais impressionantes e também que tivesse evoluído em qualidade como Mass Effect 2 fez com o primeiro =] vou jogar Bioshock 2 ,com certeza

  • 7. Flame Alchemist  |  março 10, 2010 às 4:40 pm

    8.4 eu até achei alto para o que o game é…eu esperava mais do jogo.

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