/OFF: O Japão está morrendo(?)

março 9, 2010 at 8:37 pm 1 comentário

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Para esta segunda /OFF – coluna do HCG que trata de qualquer coisa que não seja videogame – decidi optar por um tema de mais fácil digestão. Havia pensado em uma matéria engraçada sobre bizarrices japonesas ou uma matéria sobre a visão do cinema alternativo sob o gênero do romance. Durante minhas pesquisas acabei decidindo por um assunto um pouco mais sério derivado da primeira idéia.

Lendo o título muitos logo pensam que falarei da indústria de jogos nipônica que vem encolhendo ano a ano em uma espiral decadente. Infelizmente o problema é mais sério do que a mera rentabilidade do mercado de jogos. A população japonesa entrou em uma curva descendente e em 40 anos o país terá 30% a menos de habitantes!

Atualmente o Japão tem 127 milhões de habitantes. Deste número o país tem a maior porcentagem de idosos do mundo e uma das menores de crianças. Não há mortalidade infantil. Apenas os casais japoneses decidiram que gerar uma criança não é uma boa idéia. Aliás, o número de casais japoneses vem diminuindo… Aliás, o DESEJO SEXUAL do povo japonês vem caindo de modo alarmante.

Segundo a BBC o Japão é um país que caminha para a morte. O jornalista Robin Lustig especula que as causas sejam a incapacidade do homem japonês adaptar-se a cultura moderna e lidar com a atual realidade. As mulheres são mais independentes e as esposas gradualmente perdem o manto de “segunda mãe” tão comum na cultura nipônica. As facilidades tecnológicas dos jogos de romance, dos animes e dos mangás cheios de garotas submissas e perfeitinhas e o investimento massivo neste mercado de homens solitários – lanchonetes e dorcerias com garçonetes “fofinhas” submissas que sentam ao lado do cliente e sorriem estupidamente são comuns no país – vem servindo como subterfúgio para a vida real. Porque enfrentar os “perrengues” de um relacionamento real, os altos e baixos de uma vida a dois, se eu posso me sentir querido e especial em Shibuya e me aliviar a noite com um belo hentai? Este é o pensamento de uma pequena, mas crescente, população de homens japoneses.

No mais famoso fórum anônimo do mundo, o infame 2chan, as declarações dos internautas é um misto de indignação e resignação perante os comentários de Lustig:

– Façam a realidade ser mais interessante que os games, por favor

– Sim, eu posso viver só de videogames

– (Não sou eu que não quero lidar com a realidade) É a realidade que não quer lidar comigo seu idiota!

– Minha namorada (2D) é a Aiko-chan. Ela está sempre disposta a me dar um sorriso e não se importa se eu estou sem dinheiro ou esqueço uma data importante. Isso é o que me importa.

– Os comentários dele ( Lustig) são racistas!

– Não sei na Inglaterra mas os custos e sacrificios para se casar no Japão nos últimos 20 anos se tornaram simplesmente altos demais.

– Estou ocupado demais com meu trabalho para arrumar uma mulher e me casar

É fácil culpar os jogos e animes. Entretanto, ao meu ver, eles são mais consequência do que causa. A verdadeira culpada é a vida expressa dos grandes centros nipônicos. Um trabalhador médio japonês trabalha 12 horas por dia. O intervalo de almoço é de 1 hora o que torna a volta para casa impossível. Na prática são 13 horas longe do lar, isso sem levar em conta o tempoo gasto no trajeto da casa para o local de trabalho. Muitas companhias adotam um rigoroso sistema de metas que está o tempo todo analisando o desempenho do empregado de modo que – especialmente nestes anos recessivos – se ele tem uma performance abaixo do esperado a demissão é imediata. É um ambiente de pressão intensa, de correria interminável. Difícil exigir que ao chegar em casa haja ânimo para sair com os amigos e flertar com garotas. A fuga é relaxar no sofá e conhecer mulheres mais simples geradas por um processador.

É triste, apesar de que para nós ocidentais pode parecer engraçado, mas os japoneses simplesmente acham “problemático demais” dispender energia na construção de um relacionamento. Pesquisa realizada pelo Nikkan Gendai mostra que nos últimos 20 anos o desejo sexual do povo japonês caiu em 40%.  Atualmente o japonês é o povo que menos faz sexo no mundo, em pesquisa realizada por divisão da OMS.

loveplus

A situação entre os japoneses CASADOS também não é boa.  Pesquisa do escritório japonês do The Guardian revelou que 26% das mulheres casadas do país não fizeram sexo nos últimos 2 anos! Outro fenômeno comum é o de casais virgens. Isso mesmo, pessoas casadas que mesmo após vários anos seguem sem terem intercurso sexual. O governo japonês paga 170 euros (+-500 reais) por mês – durante 10 anos – por cada criança que os japoneses decidem ter. É uma forma de tentar impedir que a população do país mingue ao ponto de faltar mão de obra para a indústria e o comércio.

O fenômeno é tão sério que gerou bizarrices como Voluntários Sexuais para Esposas Abandonadas e o Serviço de Suporte á Perda da Virgindade.

Sério.

Mas isso é assunto para a próxima – e modestia a parte – interessante e bizarra /OFF que falará especificamente destes “serviços”.

E vocês, o que pensam dos problemas vividos pela população japonesas? Será que estes traumas continuarão á prejudicar a indústria de games que cada vez mais gasta seu tempo com simuladores de namoro (como a mega produção da Konami para DS, Love Plus) e jogos bizarros de “amigos” (como o best seller da NintendoTomodachi Collection“)? Será que daqui a 50 anos observaremos um país minguante, traumatizado e decadente como alguns números sugerem?

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1 Comentário Add your own

  • 1. Camila  |  março 15, 2010 às 12:01 am

    Nossa… A coisa é bem pior do que eu imaginava. Durante um bom tempo fui fã de cultura nipônica e tudo mais, mas com tempo percebi quão distorcida é a mentalidade desse povo, a ponto de achar desperdício de tempo manter um relacionamento. Mas há as grandes diferenças culturais, claro. Só que as coisas como estão, é difícil não falar mal!

    Daqui a pouco eles terão de fazer o que tanto detestam, aceitar mais imigrantes. Se a própria população não da conta de manter o crescimento sadio, alguem terá que o fazer!

    Eu dúvido que esse quadro mude no prazo estimado, esperamos que os governantes tomem as decisões certas!

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