Games violentos proibidos na Venezuela
março 9, 2010 at 1:34 pm aronbarco 8 comentários

Um amigo mandou isso (notícia da BBC – Brasil). E aí vem meu artigo de opinião:
- 1) Resumindo a notícia (para os que não foram ler no site da BBC):
Na quarta-feira da semana passada, entrou em vigor na Venezuela uma lei que proíbe a venda e a importação de jogos violentos. Também foram proibidas armas de brinquedo, mas não vou entrar nessa questão, vamos ficar nos jogos.
Quem importar, fabricar, vender, alugar ou distribuir um jogo dentro da classificação será julgado e pode cumprir pena de três a cinco anos. A lei define como game agressivo aquele que “mostre imagens que promovam ou incitem atos de violência, como agressão física, assassinatos e roubos”, o que não é uma definição clara.
Antes de baterem no Chávez, saibam que o autor da lei é o deputado Wilmer Iglesias. Ok, Iglesias é da base governista (segue as diretrizes do governo Chávez), mas a princípio o presidente-quase-ditador não tem culpa nisso.
- 2) E aqui começam os problemas…
O problema não é Chávez nem a Venezuela, não podemos esquecer que isso já quase aconteceu no Brasil e aqui há vários jogos proibidos (Duke Nukem, Counter Strike, GTA, Postal, EverQuest, Carmageddon). O problema é a mentalidade limitada que acredita que a violência é uma espécie de sujeira, uma mancha na constituição humana – ‘naturalmente’ benevolente – e que de vê ir pra debaixo do tapete e nunca mais falaremos sobre. É pra enfiar todos os homens ‘maus’ que agiram contra a moral na cadeia e dane-se os motivos pra agirem assim.
É pra por debaixo do tapete e pronto. Mas por acaso já não tentaram isso com o sexo? Com o homossexualismo? Com todas as chamdas “depravações” que o Marques de Sade adora? Até onde sei, em toda história, nunca deu certo pôr-debaixo-do-tapete. A revolução sexual, a história das guerras, a própria existência do Sade, estão todos aí para provar.
Quer parar a violência sem sentido? Então vá estudar e entender a violência para controlá-la e não simplesmente censurar as produções culturais. (Reduzir a quantidade de armas à solta na Venezuela também seria ótimo, mas o foco desse texto é outro e vou continuar nele). A violência está, obviamente, muito mais funda na constituição do que é ser homem do que o senso comum e a tradição moral admitem. Enfim, o buraco é mais embaixo.
Também não é nenhum mistério para todos que lêem a HCG que nenhum de vocês se tornou mais violento por causa dos games. Eu e muitos de vocês jogamos desde muito pequenos, dos pré-Atari até hoje, e nunca atiramos em ninguém com uma shotgun porque no jogo isso era legal.

Leis desse tipo ignoram um universo inteiro de estudos sobre representações (e nisso, basicamente, toda a filosofia), ignoram as produções culturais, ignoram a arte. Ignoram até a essência lúdica humana de brincar e jogar – que não tem nada a ver com a vida, digamos, séria. Todo mundo que cresceu e aprendeu a cultura da nossa sociedade (e não apresenta uma patologia social) sabe a diferença entre trabalho, estudo, brincadeira, jogo etc.; de forma simplista: entre realidade e ficção.
Lendo a notícia imediatamente lembrei do filme Das Weisse Band (A Fita Branca), em cartaz nos cinemas do país, cuja história se passa na sociedade alemã pré-nazismo. O diretor Hanake fala da rigidez, frieza e opressão que rege as relações entre as pessoas da vila e, principalmente, que sofrem as crianças. E são exatamente tais crianças oprimidas as principais suspeitas de crimes brutais… aí o pensamento: a repressão é o caminho para eliminar a violência sem sentido?
E afinal existe violência com sentido? O Deputado Iglesias fala que “Um exército não foi feito para destruir e matar e sim para proteger pessoas e seus territórios”… isso é ridículo. Além de todos os aspectos ignorados (que citei acima) o que é por ele relevado na questão é um ufanismo, uma vadia politicagem nacionalista de louvor ao Estado em detrimento do povo. É uma versão (aberração) da propaganda dos EUA pra justificar suas invasões, o famoso “levar a democracia”.
O verdadeiro problema na mão do deputado Iglesias é a crescente violência na Venezuela e a formação das crianças foi a culpada. E o que estraga a formação delas? Claro que a violência nos videogames delas… claro. Afinal, não é fácil culpar os jogos? Com certeza é mais fácil que atacar também a televisão, o cinema, os discursos, a própria contradição no louvor ao exército que o deputado faz; pior ainda: ir além disso tudo e discutir o caráter da violência como definidor do homem, o único ser que mata sem necessidade e até por prazer.
A meu ver, falta muita reflexão sobre o caráter da violência, entender o que ela é, porque a praticamos e como podemos controlá-la ou contê-la para melhorar as condições de vida em sociedade. Não estou promovendo a inércia, a falta de ação do governo, mas está muito claro que os jogos não são os culpados. O que o governo pode fazer é se preocupar mais com as armas à solta, com as condições da população e com a educação dessas crianças do que disparar leis para calar as produções culturais.
No fim, a exemplo d’A Fita Branca, isso possivelmente é um tiro no pé.
por Aron Pilotto Barco
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1.
Tiago Medeiros | março 9, 2010 às 2:15 pm
E o povo vai jogar o que? WII?
2.
aroncoiote | março 9, 2010 às 2:20 pm
Wii estimula você a bater nos outros com um controle móvel…
todos os jogos são do capeta. nem amarelinha pode, porque você pode querer acertar a pedra numa frágil menininha.
3.
Loveless | março 9, 2010 às 3:16 pm
Lamentavel !!
Mas no mundo todo é assim, o governo sempre tenta culpar um inocente para tapar os buracos de suas falhas, e parecer para a população/massa ignorante que eles estão agindo.
4.
Fabian Kurayami | março 9, 2010 às 3:23 pm
Concordo 100% com vc Aron…
É mais fácil culpar a mídia mais nova e frágil do que tratar o problema com seriedade.
O pior é q nao duvido NADA q uma lei do tipo aterrise na terra-brasilis!
5.
Norion | março 9, 2010 às 10:47 pm
O que vai ter gente que num vai ter o que fazer na Venezuela num vai ser pouco nao HEAUIHEIUAHEAIUHAEIU, mas qqer coisa eh so jogar num quarto feichado e com fone de ouvido =D
6.
Jay | março 10, 2010 às 12:09 am
Lamentavel !!
Mas no mundo todo é assim, o governo sempre tenta culpar um inocente para tapar os buracos de suas falhas, e parecer para a população/massa ignorante que eles estão agindo.[2]
Lovless disse tudo
7.
Lufi | março 10, 2010 às 12:53 am
algumas proibições são ridículas,totalmente sem base,por exemplo,eu acho absurdo aplicar multa em quem não usa cinto de segurança,se a única a se prejudicar é quem não usa o cinto,a responsabilidade não é só dele de usar ou não?
8.
Kape | abril 20, 2010 às 11:18 pm
Olha, esses games podem até estimular um comportamento agressivo em algumas pessoas, mas é obvio que ninguém com uma mentalidade desenvolvida vai sai por ai atirando nos outros, e esse tipo de controle também existe no brasil, caso contrário não estaria estampado uma classificação na caixa do game. Porem esse controle é feito através dos pais.
Na minha opinião deve existir sim um controle mas não a ponto de proibir ou banir o jogo.
//OFF qual o nome do jogo na screen shot ali? .-.